segunda-feira, 17 de março de 2014

Estudo de caso:
TEK Building – Bjarke Ingels Group’s (BIG)

Technology, Entertainment and Knowledge Bulding é um projeto não construído (até o momento) para um concurso, onde sua proposta é a criação de um edifício multifuncional localizado em Taipei (Taiwan), unindo funções dentro de um cubo de 57x57x57m como: Hotelaria, Varejo, Alimentos, Escritórios e Exibições, juntamente com a criação de uma cobertura funcionando como mirante, ligado à proposta de sua circulação que se abre entre o edifício, possibilitando ao individuo percorrer por este túnel desde o nível da rua, até a cobertura.

            Entorno e Implantação

Entorno

Analise macro
                                   
           O Edificio Technology, Entertainment and Knowledge (TEK) se localiza em Taipei, Taiwan, mais precisamente na interseção dos viadutos Shimin Blvd e Xinsheng.
            O TEK Building se localiza em uma área onde a predominância da ocupação do solo se configura como comercial e a grande maioria dos edifícios possuem mais de 4 pavimentos. A proposta da obra corresponde à leitura dos gabaritos da região, dispondo de um edifício de grande verticalidade e dimensões generosas, localizando-se em um terreno próximo a largas vias, porem, tangenciado por vias mais estreitas (exceto a debaixo da Shimin Blvd).
O ideal de manter a mesma característica da região transparece na multifuncionalidade e verticalidade do edifício, onde por ser localizado em uma posição geográfica de grande densidade demográfica em pouco espaço, os equipamentos de seu entorno unem moradia com serviços e comércios e tirando conceito disto, o edifico TEK une todas estas funcionalidades gerando também espaços públicos, tanto no nível da rua, quanto ao percorrer o interior do edifício e até a praça em sua cobertura, abrindo espaços livres para o individuo respirar e descansar após enfrentar uma floresta densa de grandes equipamentos aglomerados. TEK Building cria espaços não só para descansar, interagir e respirar, como para contemplar o seu entorno, retirando a sensação de enclausurado concedendo a oportunidade de observar todo seu entorno, tanto o entorno da obra como o da região que se localiza.

Implantação

                                          

Circulação, acessos, zoneamento, áreas servidas e serventes

Diagrama do acesso e união de funções

O acesso principal do edifício se localiza no túnel que faz a ligação do nível da rua até a cobertura, dando acesso a todos os pavimentos munidos de diferentes funções ao percorrer o caminho em espiral. Em suma, a circulação pelo túnel dá o conceito lúdico de união de funções, gerando o multifuncional conforme demonstrado no diagrama acima.

Principais circulações verticais
                                         
Além da circulação no interior do túnel em espiral, o edifício possui 4 elevadores em cada extremidade e escadas rolantes para circulação vertical interna.

Raio X das circulações

                                  Criação de plazas na área externa no nivel da rua                                       

Além da união de funções, foi projetada, na área externa envolta do edifico, plazas (ou praças) setorizadas, como:  Plaza para o Hotel, Plaza de eletrônicos, Plaza de entrada e Plaza de Mídia.

Diagrama de zoneamento

 Planta do quarto pavimento com setores, circulação, áreas servidas e serventes          
                    
 Planta do quinto pavimento com setores, circulação, áreas servidas e serventes 

 Planta do sexto pavimento com setores, circulação, áreas servidas e serventes 
          
Planta do oitavo pavimento com setores, circulação, áreas servidas e serventes

    Corte com áreas servidas e serventes

Estrutura

Corte do edifício TEK

Conforme analisado em planta e corte, o intervalo modesto entre colunas possibilita a utilização de lajes de alturas interessantes, não sendo necessária a utilização de lajes de grandes espessuras para criação de vãos. Porem, o único espaço que se destaca no cenário de colunas e lajes está bem ao centro do edifício: O auditório, onde para possibilitar a utilização do grande vão ausente de colunas foi adotada uma laje reforçada com viga treliçada.


No tocante da beleza ao observar as plantas, é notável a preocupação formal para a criação do túnel que percorre o interior da obra, onde as colunas são dispostas de tal forma a contornar o túnel, fazendo o máximo para não interferir na harmonia deste acesso. Conseguimos ver a importância deste detalhe arquitetônico na obra apenas observando a preocupação em adequar a estrutura para o acesso.


 Volumetria


                                                Fachadas e volumetria
                                        
O edifício TEK é composto por um cubo de 57x57x57m com um túnel de acesso que percorre por toda a obra onde sua volumetria é moldada através das diversas placas que envelopam a obra, possuindo entre elas a transparência do vidro que concede um ritmo perante o intervalo de uma lamina a outra, atribuindo a sensação das laminas estarem flutuando. A leitura de laminas de concreto intervaladas por fechamento translucida dá o desenho de “vortex” para a entrada do tubo, como se estivesse delicadamente se projetando ao centro do edifício em um movimento de “puxar” as faces do edifício, criando este vão da rua à cobertura. As demais fachadas possuem a leitura de “cortar” o túnel conforme avança pelo edifício, revelando o seu interior de que está no exterior da obra, e garantindo diversas vistas para quem está percorrendo por esta circulação.
  
Materiais utilizados

Materiais utilizados

Os materiais utilizados para compor a leitura formal do edifício foram laminas de concreto, onde o espaço entre elas são fechadas com vidros.

Elementos de adequação climática

Interior do edifício demonstrando a incidência solar

Detalhe específico do Sistema de incidência solar

Conforme demonstrado nas imagens, o edifício foi projetado pensado na adequação perante a configuração natural, onde as laminas de concreto filtram (em forma de brises) a quantidade de incidência solar adequando-se às estações de maior rigor climático. Ou seja, no verão a incidência solar dentro do edifício será menor, tornando a temperatura no interior mais amena. Já no inverno, a incidência solar será maior, elevando a temperatura na estação mais fria.

Diagrama de cobertura verde auxiliando na adequação climática

Terraço jardim em forma de praça

Além do sistema de filtro de incidência solar, o projeto conta com a adequação climática proveniente da utilização do terraço jardim, onde a evaporação e o refrescar do ar diminuirão alguns graus no local, já que o ar mais frio possui mais peso (como demonstrado no diagrama) faz com que o ar fresco percorra todo o túnel, consequentemente o edifício por inteiro.

ESTUDO DE CASO – EDIFÍCIO BRASCAN CENTURY PLAZA

ESTUDO DE CASO – EDIFÍCIO BRASCAN CENTURY PLAZA

CONTEXTO
a) enfatizar/estimular a permeabilidade entre espaços públicos externos e internos como contraposição ao apartheid entre espaços públicos e privados, característico das cidades brasileiras;

b) buscar criar uma centralidade micro-regional que marcasse um tecido urbano desprovido de referências “geográficas”, como era o bairro do Itaim Bibi, sem referências;

c) buscar um produto formado por atividades sinergéticas e compatíveis com o entorno/tecido urbano e que gerasse ocupação/uso em três turnos diários.


O complexo multifuncional localiza-se entre as ruas Joaquim Floriano e Bandeira Paulista que possuem fluxo intenso de automóveis, no bairro Itaim Bibi.
Os três edifícios que formam o complexo destacam se do entorno devido a suas formas e gabarito elevado.  Destaca se também a praça térrea entre os blocos e a ampla área verde.
O espaço criado vem sendo intensivamente usufruído por diferentes públicos ao longo do ciclo diário. Desde mães com crianças de manhã, até casais e jovens em fins de noites, passando por público profissional durante o dia, a praça mantém-se viva, integrada ao espaço público e integradora dos diferentes usos do complexo.

 PROGRAMA

Complexo com comércio, serviços e habitação adotando a quadra aberta como tipologia de implantação.

SETORIZAÇÃO DO COMPLEXO
SETORIZAÇÃO INTERNA DOS BLOCOS
ÁREA CONSTRUÍDA POR BLOCO
Bloco Brascan Century Staybridge Suites (RESIDENCIAL)
31 pavimentos com: 356 apartamentos e heliponto
20.000m²
Bloco Brascan Century Offices (SERVIÇOS)
24 pavimentos com: 364 conjuntos de escritórios
18.000m²
Bloco Brascan Century Corporate (SERVIÇOS)
15 pavimentos com: salas de escritórios
13.000m²
Bloco Praça (COMÉRCIO, CINEMA, ÁREA DE CONVÍVIO)
Lojas, restaurantes, 6 salas de cinema e espaço de convívio
7.000m²













PLANTAS

SETORIZAÇÃO


 As disposições dos prédios no terreno resultaram numa grande área livre com espaço arborizado, comércios, cinema e restaurantes para uso público, tornando se também responsável pela articulação entre os prédios.

CIRCULAÇÃO



 ESPAÇOS SERVIDOS E SERVENTES

NO COMPLEXO MULTIFUNCIONAL


NOS BLOCOS




CORTES

ESTRUTURA E MATERIAIS



A estrutura do complexo é toda em concreto. Possui forro de gesso a 4,5 metros de altura.



Todos os prédios apresentam lajes protendidas. As lajes dos térreos são impermeáveis.

 SOLUÇÕES CONSTRUTIVAS










Os prédios em L resultaram em maior quantidade de janela livres de obstáculos frontais. Foram resolvidas também as questões dos recuos e manteve-se o térreo permeável.
INTERCOLÚNIO



O intercolúnio é convencional ,feitos de concreto.Devido aos prédios serem todos separados,cada um com o seu uso, a estrutura não necessita vencer grandes vão.


FOTOS EXTERNAS

MATERIAIS


Os pilares em bronze possuem acabamento que simulam o aço corten.






             O embasamento dos prédios na área voltada para o interior da praça,busca simultaneamente distinguir os espaços público e privado e evitar que os frequentadores se sintam confinados entre os blocos. Para isso,a base dos edifícios foi trabalhada,até seis metros de altura,com superfícies revestidas de mármore travertino rústico com duas tonalidades.
             Visando evitar o acúmulo de água de chuva, a praça tem piso de placas de granito sustentadas por pedestais - da mesma forma que pisos elevados de escritórios. Sem rejuntamento entre as peças, a água escorre livremente até a caixa impermeabilizada, situada entre o piso da praça e a laje de cobertura da garagem.



PAPEL ESTÉTICO E SIMBÓLICO




           Devido ao Brasil estar comemorando seus 500 anos,buscou-se assim desenvolver um “oásis” urbano, que era desde o início o conceito paisagístico.
Os rios da cidade são simbolizados através do curso de água que permeia o projeto (não coincidentemente paralelo á “trilha” urbanizada que interliga ruas opostas), e nossa mata através da introdução de 100 exemplares de apenas 3 espécies arbóreas endêmicas brasileiras da família das cisalpinas: o pau ferro, a sibipiruna e o pau-brasil. As esculturas de grandes troncos de Elisa Bracher foram introduzidas na praça como referência complementar e contraponto/ paradoxo entre a força da modernidade urbanizada e a força de nossas raízes, tão distante de uma pequena quadra em pleno tecido urbano paulista.

 

Os restaurantes com mesas externas, o open mall e cinema foram uma opção arquitetônica,urbanística e também ideológica, mostrando que os espaços de iniciativa privada podem ser permeados pelo uso público.

FOTOS INTERNAS

MATERIAIS

Lobby do edifício Brascan Century Staybridge Suites
Hall do edifício Brascan Century Offices